segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A Memória

Pra onde vão as horas perdidas?
Aquelas que você deixa no trânsito, em salas de espera.
Como se tivesse um interminável estoque.
Você sabe pra onde vão?
Por que, no fim da vida, você não terá vivido.
Você não lembrará dos dias gastos na rotina.
Ao final, serão seus apenas os momentos lembrados.
Não os vividos.
E, ao longo do tempo, no crime de esquecer,
você terá perdido dias, meses, anos até.

O que você acha de viver este fim de ano aproveitando cada segundo?
E 2010?
Faça com que, mesmo daqui a muitos anos,
estas lembranças estejam vivas na sua memória.

sábado, 14 de novembro de 2009

Crônica da partida: Brasil x Inglaterra

O futebol aéreo.

Em campo, duas escolas do futebol.
De um lado o aluno inventor, do outro: o melhor aluno.
Brasil x Inglaterra.
Nós brasileiros, por anos criticamos o futebol Inglês
por abusar das jogadas aéreas.
O fato é que somos colônia até no futebol.
Talvez por isso, sejamos tão espontâneos ao domínio da bola,
com a humildade de quem pode ter o mundo, um globo como ela,
tem o direito de tê-la, aos seus pés, e agora também: no ar.
Penso que em estilo de tendência, no que se refere
aos padrões táticos, os Lords sempre foram vanguarda.
Este futebol de duas linhas de quatro jogadores
que o scrath canarinho pratica em 2009,
já era praticado pelos súditos da rainha em 1966.
Fato que nos trás muita alegria,
já que a Seleção Inglesa foi campeã mundial daquela copa.
Copa que estar por vir, agora, no continente africano.
Temos um futebol de contrataque agudo, porém catedrático.
Catedrátrico como o futebol de Carlos Alberto Parreira,
ao contrário do que muitos gostam de assumir,
um estudioso do futebol.
A seleção de 94 nos revelou o futebol de resultado.
Seu capitão Dunga, é o treinador brasileiro agora.
Que repitamos o sucesso Inglês de 66
e o resultado do futebol canarinho de 94.
Sejamos campeões na África do Sul.
Por que, tudo que acontece uma vez, pode nunca mais acontecer,
mas o que acontece uma segunda vez, certamente acontecerá uma terceira.
E, com mais uma certeza: Nilmar é titular.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Os corvos

Ouço a tanto tempo e, ao mesmo tempo
parece que ouço pela primeira vez.
Cada disco, música ou formação
( saudades do Marc Ford ), de Jealous Again à Wonded Blind;
uma forma nova dentro da mesma forma:
o bom e velho rock and roll.
Me recordo da primeira gravação em k7 de Remedy.
Um soco na mente!
- Banda dos anos 70?
- Não, os timbres revelavam algo mais atual.
- O contrabaixo, que peso!!
As guitarras no melhor estilo pergunta-resposta!!
Descendentes diretos de uma linhagem única de guitarristas.
- O vocal… parece o Rod Stewart, só que com mais energia !!!
Chega de comparações.
Hoje sei que elas são inúteis.
São coisas de crítico frustrado.
Ouvir Black Crowes é meu exercício de liberdade.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Eldorado

Calado.
Mudo.
Um minuto de silêncio por cada centavo.
Desviado.
Eis a quermece política.
O mundo real.
A senadelia psicolítica.
A Eldorado de Glaublers e de Rochas.
Atestando.
Atestado de óbito, óbvio.
Amoral.
Ética, frenética e dialética.
A técnica.
RENANcendo e COLLORizando.
Colonizando.
Caras pretas e caras pálidas.
CARAS no mundo de CARAS.
Na capa na casta, na testa.
Desvio revelado em ato secreto.
A ordem dos produtos e o valor dos fatores.
Falando grego.
Este Senado Brasileiro.
Divorciado da Justiça.
As escuras, à espreita em cegos votos.
Na balança, nos bolsos
com ternos alinhados e bigodes tingidos.
Transformando sangue em ouro.
Guardando em cofes o sofrimento do povo.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Rauldstock e o auto-exílio de Belchior

Woodstock.
O Big Bang do século.
Foi tudo ali.
O alpha e o omega da cultura ocidental.
O lugar e o momento.
A Gênese.
A Democracia.
Moda, comportamento e atitude, hoje datadas,
em Woodstock tinham um sabor de prima notte.
Com a cor e o cheiro que só a virgindade possui.
Hoje, em sacrifíos; os devidos créditos.
Aliás, sempre fizemos esta mea culpa.
Porque a hipocrisia é uma homenagem
do crime a virtude.
Por isso nossa homenagem.
40 anos.
Mas o que foi o Woodstock?
Pra nós, Brasil, foi Raul Seixas.
E a sua potência da provocação.
Na sua função de artista, à violentar.
Sempre com um lado patético e outro maravilhoso.
Uma metamorfose, mescla mutante e natural.
Uma atitude dentro de um gênero auto-destrutivo,
uma arte duvidosa com uma linguagem de urgência.
A necessidade de uma viagem sem volta.
Uma forma de queimar o filme rápido.
Parafraseando Derek Walcott:
“I myself am a nation”.
Numa tradução rápida:
“Eu sou uma nação de mim mesmo”.
Seu versinho captura dois paradoxos
gigantescos da identidade humana.
Um é que somos, cada um,
ao mesmo tempo muito únicos (I myself)
e muito diversos (am a nation).
E o outro, já que um ouvido livre e inspirado
pode entender o verso como “I myself emanation”
(Eu sou uma emanação de mim mesmo),
é que somos e não somos.
Isso é Woodstock. Isso é Raul.
Com suas pérolas extraídas
de ostras submersas no Raul Seixismo.
Isso é Democracia.
Hoje todos preocupam-se com o auto-exílio
do poeta e artista plástico Belchior.
Hoje todos preocupam-se com o auto-exílio
da verdade, fugitiva fugaz das bocas abigodadas
de nossos Sarneys do senado federal.
Com seu ideal de identidade nacional
e religiosa chamado PMDB,
aceito sem questionamento,
como se fosse um dado natural e não uma invenção do absurdo.
O Brasil está morrendo, assim com Raul já se foi.
A verdade exilou-se com Belchior.
A Democracia virou Woodstock:
Uma lembrança.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Senado Movie

O que não te mata, te deixa mais estranho.
Frase surrada
neste baralho de cartas marcadas chamado Senado.
Cada vez mais, O Imortal fortalece sua prole.
Highlanders do atraso, representantes feudais da miséria.
Fernando Al Pacino Collor e sua atuação,
indicada ao Oscar de melhor ator codjuvante.
Roberto Renan Benini, um comediante nato.
José Sarney : o Marlon Brando do Amapá,
o Christopher Lambert do Maranhão.
Nosso Connor Mcload tupinikin.
Nesta super-faturada produção, digna de vários Oscar.
Com o Hino Nacional, de trilha sonora perfeita
de um cotidiano roteiro.
A pornochanchada política,
com pitadas de Ali Babá e seus intermináveis ladrões.
O verdadeiro cinema Brasileiro.
Digo verdadeiro,
porque Terra em Transe e seu Eldourado já são reais.
Glauber não sabia de nada, não entendia de política e
consequentemente não entendia nada de Brasil.
O cinema Novo de Glauber é ultrapassado.
O cinema do Atraso e seus diretores-representantes
que vão de Maluf à Sarney são a verdadeira arte.
A Arte da negação.
A Arte do absurdo e seus tons grotescos de Big Brother.
Poderíamos chamar esse filme de:
Os Imperadores do Nordeste ou,
Os Coronéis de Terceira categoria,
ou ainda: O Grande Duque Carioca do Arquivamento
Enfim,
não importa o nome que irá borrar este sal de prata,
pois sabemos que neste cinema chamado Senado
o fim nunca é original,
nem a forma de se contar a história.
Nesse cinema não tem pipoca,
nem refrigerante,
porque tudo acaba em pizza.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Meu futebol, se tu soubesses ser a vida...

A busca do gol seria o objetivo da vida.
Brincando ou vivendo de jogar.
Em terrenos baldios
aonde os dias nascem com as esperanças.
Dentro da verdade que surge
ao brincar de jogar ou de viver.
premiando na maravilha de um gol
um sabor matinal e diário
como um desjejum justo
que antecede um dia de trabalho sob o sol.
Meu futebol, se tu soubesses ser a vida
a vida seria mais justa, apesar dos erros da arbitragem
e jogariamos em casa metade das vezes
e não serias sempre um campo desconhecido,
com desafios tão injustos…
Meu futebol, se tu soubesses ser a vida
terias regras e cartões
sendo expulso o desleal
e a fome seria um carrinho sem bola
caída ao chão ao ser driblada
E o sorriso da vida seria sempre o drible
E o vestiário da nossa casa
teria a equipe de nossa família
jogando e marcando juntos
pelo resultado positivo
Meu futebol, se tu soubesses ser a vida
o amor seria um craque
indispensável pra vencer
Diga lá menino,
o que é que você quer ser quando crescer?
Eu quero ser jogador de futebol…
No país das maravilhas
no país do futebol.
Meu futebol, se tu soubesses ser a vida
Deus seria brasileiro,
com seu filho de braços abertos
a abençoar seus filhos.
E toda bola de pano seria oficial,
e todo pé descalço seria chuteira,
e toda rua de terra seria um maracanã.
E mesmo sem estar inspirado
procuraria a inspiração...
Meu futebol, se tu soubesses ser a vida
e se minha vida soubesse ser o futebol
eu seria Gigante pela própria natureza
filho de um solo, mãe gentil
do ventre negro e forte
nordestino e índio
deste país chamado Brasil.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O homem no mundo da Lua

1969.
Nixon toma posse.
A Coréia do Norte abate um avião espião norte-americano.
Neil Armstrong pisa na Lua.
O culto de Charles Manson entra em ação.
O roteiro do filme: O que é isso companheiro? começa a ser escrito.
Pelé marca seu milésimo gol no Maracanã.
Carlos Marighella é assassinado em São Paulo.
Woodstock.
The Beatles no telhado da Apple Records.
1969.
Há 40 anos a fotografia do Homo Sapiens é revelada.
De forma Tecnológica e Neandhertal.
O céu não é mais o limite.
Nossa natureza destrutiva sim.
Deixamos pegadas na lua e não damos valor ao que está aos nossos pés.
De lá pra cá, nossos esforços para destruir o planeta não cessam.
Indicamos a Lua, mas só vemos nosso próprio dedo.
1969.
Periodo histórico com assinatura de um comportamento atual.
Nada original.
Líderes, obsessões e limitações.
Ameaça nuclear.
Hoje é Marte.
É Obama.
É Senado.
É Dólar a R$1,90.
É China e Coréia.
É 2009.
Hoje é 1969.
Um pequeno algarismo para um texto.
Uma imensa bula para condição humana.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

13 de Julho

13 de Julho de 1954.
Um adolescente branco, caipira e caminhoneiro,
de 19 anos começa a brincar ao microfone
do Memphis Recording Service,
improvisando sobre o blues That's All Right, Mama.
Não podia imaginar que tal feito
seria o marco inicial do rock,
embora o próprio jamais tenha reivindicado tal feito.
" Rock and roll sempre esteve por aí ".
"Costumava ser chamado de rhythm & blues".
Disse em uma entrevista em 1958.
Mais do que a expressão das influências disparatadas de um jovem,
era um revolucionário ato de integração cultural, musical e racial.
30 anos depois daquele insight,
em 13 de julho de 1985,
o festival Live Aid,
realizado simultaneamente em estádios
dos Estados Unidos e da Inglaterra;
era uma união de astros do rock,
como Paul McCartney, David Bowie, Bono Vox,
Eric Clapton, B.B. King, Mark Knopfler e outros,
em torno de uma fabulosa ação assistencial
para levantar fundos para salvar os famintos da Etiópia.
Esse dia ficou convencionado como o
Dia Internacional do Rock - data que se festeja nesta segunda.
Podemos comemorá-lo pelos motivos citados a cima,
por Elvis, pela Etiópia, pela revolução,
pela solidariedade, pela integração cultural,
enfim, aqueles que ouvem e que pensam
podem comemorar por qualquer motivo.
Por que não é um motivo qualquer.
Afinal, It`s only rock and roll ( but like it ).

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Um Corinthiano dos anos 60

Hoje me sinto como um Corinthiano.
Não fico vermelho de vergonha afirmando.
Não fique também vermelho, só que de raiva.
Este Colorado vai se explicar e você vai concordar.
Me sinto como um Corinthiano dos anos 60.
Aquele da fila.
Aquele no qual o Rei era seu algoz.
Porque já faz 30 anos desde o Tri.
Meu velho pai tinha razão.
Disputaremos quatro títulos em 2009.
Campeões de tudo.
Fechamos negócio por 3.
3 títulos em 4 disputados. Sábio palpite.
Porque esta Guerra centenária tem quarto etapas.
Descobrimos com a invencibilidade e o título Gaúcho,
que o céu era o limite.
Porém, nosso algoz, que joga como o Rei dos anos 60.
Decidiu nosso destino na Copa do Brasil. Tanto lá com cá.
Esta batalha está perdida.
Vamos juntos, recolher os feridos,
contar as baixas, reagrupar as tropas,
aprender com nossos erros
e, principalmente colocar os pés no chão.
Isso porque, na Recopa, jogaremos nas nuvens.
E se meu velho pai estiver certo,
será o Segundo título em três
que nos é de direito neste centenário.
Por isso digo que me sinto hoje um Corinthiano.
Porque sei que esta fila vai acabar este ano.
TETRACAMPEÃO BRASILEIRO.
É isso.
Em 2010 quero todos no nosso caminho.
Eles, os Corinthianos e quem mais vier.
Estaremos lá aguardando.
Esta derrota só nos deixa mais fortes.
Mais livres.
Mais LIBERTADORES.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O HIGHLANDER DO MARANHÃO

Quando o imortal Sarney, em tribuna,
discursa em alto e bom tom que a crise não é fruto individual,
e sim do Senado, a mortal esperança morre.
Acabou.
Ela é a última.
A política brasileira é um caso perdido.
Falencia múltipla de órgãos.
Executivo, legislativo e judiciário.
Sarney, nosso coveiro imortal, acaba de martelar o último prego.
Caixão selado.
Ficam suas palavras em nossa lápide.
Com a benção do Arcebispo Lula,
alegando que Sarney não pode ser julgado como uma pessoa normal.
Claro que não pode.
Ele é imortal.
Precisamos cortar sua cabeça.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Woodstock

3 dias de paz, amor, música e contracultura.
40 anos de Vanguarda Criativa.
Sobre ruínas do Sonho Americano,
a materialização da literatura beat.
Com seus Hippies e o tom ácido da revolução sexual.
Na atitude de mexer no mundo.
No sepulcro a superstição contra a ciência,
a direita, a religião, a política e a guerra bruta.
Uma revolução que, por um breve momento,
nos fez esquecer que a estupidez
tem mais vitórias que a razão.
Revolução que hoje,
diante de problemas que vão desde a gripe suína
até as catástrofes econômicas e ecológicas,
é inevitável.
Essa interação da nova geração
e seu papel de poder,
são indícios dessa atitude
de mexer no mundo.
A nova geração é a vanguarda.
É Woodstock, é a queda do muro,
é o sair de cima do muro.
É o não-óbvio, é a eterna insatisação.
Ela transforma crise em oportunidade.
E interagir é a única forma de seduzir.
Essa atitude de mexer no mundo
é a necessidade que não é novidade.
Não importa o tempo, a década, a época.
Toda crise leva a Vanguarda.
Vanguarda Criativa.

terça-feira, 2 de junho de 2009

INVERNO

O sol do tempo que aguarda
a vanguarda do dia nascer
criando novos futuros
projetados pra gente viver.

O dia-a-dia é um pouco de tudo
com tudo pronto pra sorrir ,
e o raiar do dia no mundo
já é um motivo pra ser feliz.

O sabor do vento,
sobre tudo que toca
o desejo de amor,
tudo que importa

E outra criança nasceu,
comemoramos com festa.
Inocente sorriso diz tudo
é o raiar do dia no mundo.

E cada sorriso e abraço
e cada aperto de mão,
sinais de um mundo completo
em nosso coração.

O sabor do vento,
sobre tudo que toca
o desejo de amor,
tudo que importa

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Pseudônimo

Amo Amy. Mas nada posso fazer.
Por vezes essa história foi contada,
por outras foi a vida que contou.
27 anos.
Quantos foram as vítimas desta data.
Love is a losing game? Life is a losing game?
No fim da contas ninguém sai vivo daqui.
Já diria Renato em sua poesia.
Ele Renato, que em carta a Rolling Stone,
lamentava a morte de Sid Vicious
assinando Eric Russel.
E sempre a vida em déjà vu.
Nós pseudônimos. Eles imortais.
Admiradores anestesiados a cada lamento cantado,
a cada dor íntimamente compartilhada que,
nos torna amigos íntimos de nossos ídolos.
Eis o encanto.
A tragédia anunciada por Amy.
Nada podemos fazer.
Ouvimos. Lamentamos. Constatamos.
Hendrix, Morisson, Johnson, Janis, Kurt…
Amy, não quero incluir nesta lista teu nome.
Continue voltando de preto.
Mas sempre voltando.


Love is a losing game

For you I was a flame

Love is a losing game

Five story fire as you came

Love is a losing game


Why do I wish I never played

Oh, what a mess we made

And now the final frame

Love is a losing game


Played out by the band

Love is a losing hand

More than I could stand

Love is a losing hand


Self professed... profound

Till the chips were down

...know you’re a gambling man

Love is a losing hand


Though I’m rather blind

Love is a fate resigned

Memories mar my mind

Love is a fate resigned


Over futile odds

And laughed at by the gods

And now the final frame

Love is a losing game

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Primavera

À JAN PALACH
1968 - 2008

Jim Morisson incitava em sua música-protesto-poesia:
- Queremos o mundo e queremos agora!

Louco hoje, ontem, mas não em 68.
O ano em que tudo era possível.
Era.
Hoje contamos anos.
Em forma matemática-cronológica e não-literária.
Sobrevivemos.
Eles viveram e morreram.


Quantos gritos de revolta esbravejados na primavera de praga
ecoam no inverno dos dias atuais?
Quantas cores daquela época, hoje se retratame em preto-e-branco?
Eles ainda tem armas.
Ainda somos a maioria. Ainda usamos drogas. Ainda somos usados.
Nossos sonhos não voam mais.
Todos estão presos. Nós, os sonhos, a memória e a democracia.
O tecido social agora é pano de chão.
As flores são de plástico.


Até que ponto os ideais e as idéias de 1986 chegam até nós?
Travestidos e pasteurizados em forma de música, moda e comportamento?
Tinhamos o direito de ficar calados?
Tudo foi usado contra nós?


Eis o decálogo da não-cooperação:
Não sei, não conheço, não direi, não tenho, não sei fazer,
não direi, não posso, não irei, não FAREI!
Hoje, todos os governos. TODOS.
Ocidentais, orientais, capitalistas, comunistas,
socialistas, negros, brancos,
latinos e europeus utilizam o decálogo.
A Constituição.
Estéril.
Natimorto.
1968.
O antes e o depois. Iguais.
As reformas foram canceladas e o regime único continua a vigorar.


Em protesto contra o fim das liberdade conquistadas
o jovem JAN PALACH ateou fogo ao próprio corpo
em uma Praça em 16 de Janeiro de 1969.

Hoje continuam os protestos.
Sangue no jornal, fome na esquina, crianças matando crianças inimigas.
Doenças. Fogo.

TODOS NÓS SOMOS REFÉNS.

TODOS NÓS SOMOS JAN PALACH.

terça-feira, 19 de maio de 2009

A ratoeira

Quem pega ônibus sabe (ou não), que este conto de fadas anunciado nos comerciais realmente surpreende.
Não pela cara de pau dos patrões-governantes, mas por ser a propaganda de um transporte público de outra cidade.
Um admirável mundo novo.
Um futuro planejado com todo sarcasmo e abandono a classe trabalhadora.
Diante do sofrimento, costumamos mudar.
Porém, a democracia é uma piada. Foi transformada em um conjunto de gestos indignados contra a corrupção.
Foi misturada ao desejo de justiça. Foi morta com a certeza da impunidade em relação a maracutaia e as alianças políticas.
Hoje vemos que os líderes do nosso atraso, combatem a modernização da cidade através do vale tudo.
Entupir os bolsos e as vias da cidade: prioridades das políticas públicas de transporte.
Prometendo em campanha abrir a caixa preta, abriram os cofres e os bolsos do povo.
Agora, mais uma vez, o aumento das passagens é uma realidade.
Essa greve de ônibus é forjada no ferro e no fogo da ganância, marcando o rebanho, o admirável gado novo.
Fazer greve é liberar as catracas, com portas abertas, com uma real posição contra os patrões-governantes.
Quando a cidade não aguentar mais.
Quando o rodízio de automóveis for implantado.
Quando a violência descer o morro e sermos confundidos com um Rio de Janeiro em vilência ou uma São Paulo de congestionamento, construirão outras pontes.
Com o superfaturamento, novos carros blindados, para fugir das balas e do rodízio, serão comprados com o dinheiro que pagamos pelas passagens.
Isso me lembra aquela história do ratinho:
Preocupadíssimo, o rato viu que o dono da fazenda havia comprado uma ratoeira: estava decidido a matá-lo!
Começou a alertar todos os outros animais:
Cuidado com a ratoeira! Cuidado com a ratoeira!
A galinha, ouvindo os gritos, pediu que ficasse calado:
Meu caro rato, sei que isso é um problema para você, mas não me afetará de maneira nenhuma ,portanto não faça tanto escândalo!
O rato foi conversar com o porco, que sentiu-se incomodado por ter seu sono interrompido.
Há uma ratoeira na casa!
Entendo sua preocupação, e estou solidário com você – respondeu o porco. – Portanto, garanto que você estará presente nas minhas preces esta noite; não posso fazer nada, além disso.
Mais solitário que nunca, o rato foi pedir ajuda à vaca.
- Meu caro rato, e o que eu tenho a ver com isso? Você já viu alguma vez uma vaca ser morta por uma ratoeira?
Vendo que não conseguia a solidariedade de ninguém, o rato voltou até a casa da fazenda, escondeu-se no seu buraco, e passou a noite inteira acordado, com medo que lhe acontecesse uma tragédia.
Durante a madrugada, ouviu-se um barulho: a ratoeira acabava de pegar alguma coisa!
A mulher do fazendeiro desceu para ver se o rato tinha sido morto. Como estava escuro, não percebeu que a armadilha tinha prendido apenas a cauda de uma serpente venenosa: quando se aproximou, foi mordida.
O fazendeiro, escutando os gritos da mulher, acordou e levou-a imediatamente ao hospital.
Ela foi tratada como devia, e voltou para casa.
Mas continuava com febre. Sabendo que não existe melhor remédio para os doentes que uma boa canja, o fazendeiro matou a galinha.
A mulher começou a se recuperar, e como os dois eram muito queridos na região, os vizinhos vieram visitá-los. Agradecido por tal demonstração de carinho, o fazendeiro matou o porco para poder servir aos seus amigos.
Finalmente, a mulher se recuperou, mas os custos com o tratamento foram muito altos. O fazendeiro enviou sua vaca ao matadouro, e usou o dinheiro arrecadado com a venda da carne para pagar todas as despesas.
O rato assistiu aquilo tudo, sempre pensando:
“Bem que eu avisei. Não teria sido muito melhor se a galinha, o porco e a vaca tivessem entendido que o problema de um de nós coloca todo mundo em risco?”
O problema de ser rato e de ser transportado como um porco em carros lotados guiados por motoristas açogueiros em horários esdrúxulos, é de que não existem ratoeiras.
Aqui, as cobras comem os ratos que pagam o pato, quer dizer, a passagem.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Ui ar de xampions, naum tem?

Todo dia era dia de Índio, agora só tem o dia 19 de Abril...
(Novos Baianos)

Um programa de Índio, assim foi o domingo Chapecoense.
Meia dúzia de gols azuis.
Um balaio.
O Índio veio armado, com vantagem até os dentes.
Verde de esperanças.
Estocado as três flechadas na primeira peleia.
O Índio saiu na frente no segundo jogo.
Parecia que este domingo seria seu dia.
Mera ilusão.
Saiu vermelho, ferido e vice.
A aldeia de sua defesa foi saqueada.
A tribo dos Azuis foi mais aguerrida.
Com o Azul Marquinhos, organizando a batalha.
Um Cacique com número e com nota iguais.
Seus Guerreiros corriam. Eram expulsos. Baixas de guerra.
Fim dos 90 minutos.
Três estocadas devolvidas. Mesma precisão. Sabor de vingança.
Prévia do que viria.
Pois a dança da chuva, foi de gols.
Mais 30 minutos de uma batalha prorrogada.
Mais expulsões. Verdes baixas de guerra.
Defensor batendo penalti.
Torcida com grito de guerra.
Grito de vitória. Chuva de lágrimas.

Ui ar de xampions, naum tem?

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Eu sou Ronaldo

Demorei uma vida inteira para aprender a pintar como uma criança.
Pablo Picasso.

Sempre vi um final de carreira como um final de carreira.
Assim mesmo, pejorativamente.
Depois de certo tempo, aprendendo a apreciar as formas da maturidade,
entendi que o principal defeito da juventude é complicar as coisas.
Entendi também, que a experiência traz maturidade e transforma o conhecimento em simplicidade.
Constato hoje.
Isso mesmo, hoje.
Pois, ontem, vi o poder que a simplicidade tem.
O poder da genialidade.

Veríssimo, o filho, certa feita escreveu:
O futebol é uma forma de explicar a condição humana.
É verdade.

Vendo em vídeo os jogos da Copa de 70, não pude acreditar: os jogadores andavam em campo.
Rivelino, Gerson e Pelé.
Jogando um futebol contra qualquer tipo de conceito, de modernidade.
Simplesmente andavam em campo.
Assim como Garrincha, o aleijado.
Pernas tortas para a esquerda.
Contrariando as regras. Da física e do drible.
Armando, driblando sempre para o mesmo lado.

É isso.
A simplicidade quebra regras, porque as regras são bichos complexos.

Era pra Ronaldo ter parado.
E duas vezes teve a oportunidade de seguir as regras.
O jovem Ronaldo era rápido, veloz e goleador.
O Ronaldo das Copas era decisivo, definitivo.
Esse Ronaldo terceiro, o do Corinthians, é simples.
É gênio.
Anda em campo.
Assim como o Rei que via tudo, na Vila famosa.
Gol de Pelé, disse o Rei.
Ronaldo em fim de carreira, em final de carreira.
Como os gênios em fim de carreira.
Como um Picasso, um Pelé.

Como uma criança descalça nas ruas de terra.
Dando um pulinho depois do chute definitivo.

domingo, 5 de abril de 2009

O GLORIOSO

Celeiro de Ases
Nélson Silva, 1957

Glória do desporto nacional
Oh, Internacional
Que eu vivo a exaltar
Levas a plagas distantes
Feitos relevantes
Vives a brilhar

Correm os anos, surge o amanhã
Radioso de luz, varonil
Segue a tua senda de vitórias
Colorado das glórias
Orgulho do Brasil

É teu passado alvi-rubro
Motivo de festas em nossos corações
O teu presente diz tudo
Trazendo à torcida alegres emoções

Colorado de ases celeiro
Teus astros cintilam num céu sempre azul
Vibra o Brasil inteiro
Com o clube do povo do Rio Grande do Sul

segunda-feira, 30 de março de 2009

Coca-Cola

Meu nome é Fabiano.
Em 94, eu tinha 11 anos.

Naquela Copa, a promoção da Coca-Cola era a tampinha premiada.

A tampinha com as três seleções: campeã, vice e terceiro lugar, na ordem correta; premiava com um carro.

Eu tinha uma com a seguinte ordem: Brasil, Itália e Bulgária.
A decisão do terceiro lugar me daria um carro.
A Suécia ganhou de 4 a 0.

O carro foi pro espaço. A tampinha também.
No dia da final, nos reunimos no bar da minha família.
A emoção do jogo era mais importante que as tampinhas.
No primeiro tempo da prorrogação, meu tio me chama no canto.
Me da uma tampinha com a seguinte ordem: Itália, Brasil e Suécia.

E agora? Torço para Itália e para o carro?
Ou torço para o Brasil?

A vida e feita de escolhas.
Eu fiz a escolha certa.
Era minha primeira Copa.
Joguei a tampinha fora.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Corrente em Blogs

Atendendo ao Colorado Fernando Palermo, listo seis coisas sobre mim.

Antes as regras do jogo
1. Colocar o link de quem indicou a brincadeira. FALAPALERMO - na minha lista de blogs.
2. Escrever as regras para deixar o jogo mais claro. OK
3. Contar seis fatos aleatórios sobre você. OK
4. Convidar seis blogueiros para fazer o mesmo. DIMI, DOUG, OSMAR, FABIO e GUI.
5. Avisar os convocados. OK

Os fatos.
1. Hoje descobri que o primeiro Grenal foi 10 x 0 para eles.
2. Mudo o visual umas dez vezes por ano.
3. Minha grande tristeza e naum poder ter visto Jimi Hendrix ao vivo.
4. Descobri que publicidade - assim como o Rock and Roll -, naum se aprende na escola.
5. Atendo por seis nomes - Fabio, Fabiano, Fabricio, Benzina, Presença e Nicaretta
6. Mac eh MARA!!!!

sábado, 21 de junho de 2008

As memórias de um velho de 25 anos.

Apenas um brasileiro seria capaz de tal feito.
Suprema malandragem.
Um,dois passos.
Séculos de colonização representados.A arte de viver da Fé.
Capoeira,samba e alma negra.Carioca.Brasil.
Cartola.Um,dois coelhos tirados.
O lance mais lindo do futebol.
NÃO!!!
Não foi um gol.
Por si,só;explica a condição humana.Veríssimo.
Eis a síndrome de vira-lata e seus efeitos colaterais:
O improviso e a genialidade.

A inevitável Penalidade Máxima desapercebida.
Nosso CAPITÃO da malandragem.25 anos apenas.
Camisa 4.
Sim!!!
Um zagueiro,um lateral.
Apenas ele teria o direito de fechar com chave de ouro a COPA de um time SÓ.1970.
Um tal Pelé o serviu como um Métri.
Numa final com goleada;imaginem...
E da entrada da área o tiro.
Um dentre a salva disparada na batalha do México.
Um exército de 11 homens.

Onde Napoleão era Gérson.
Aonde a África era o meio-campo,as laterais e mais qualquer espaço,
no solo ou no ar.
Onde esses Van Gogh´s cortavam zagueiros adversários;
pintavam o 7 em forma de furacão,o 11 canhoto e o 9 de Tostão.

Monalisa da copa.
A inevitável tragédia transformada em mera falta.
Braços ao ar alegando inocência,advogando.
Juíz...

Vendo hoje um Brasil e Paraguai.
Um Brasil do Paraguai.
Aonde o Paraguai vence.
Aonde o Brasil se defende.

Vendo hoje um Brasil e Argentina.
Empatados em resultado.
Porém em futebol e publicidade argentinos somos.
Che.

Tenho saudade do que só vi por vídeo.
Se ao vivo fosse não acreditaria.
Ainda mais comparado a hoje.
Maravilha de tecnologia.
Efeitos especias Tupinikins.

Tenho saudade do que aconteceu antes mesmo do meu nascimento.
Eram milhões em ação.

Hoje são milhões,muito mais milhões.
E só.
Um Brasil de cifras.

Quanto ganharia Carlos Alberto Torres se acaso jogasse em nossa época?
Não importa,obras de arte são irreproduzíveis.
IT ET NUNC.